← Startups Negócios

Deeptech Doroth capta R$ 23M em rodada liderada pela Loccus

01 de September de 2026 0 leituras
Deeptech Doroth capta R$ 23M em rodada liderada pela Loccus

A Doroth, deeptech especializada em plataformas lab-on-a-chip (dispositivos que miniaturizam etapas de laboratório em um único chip) para diagnóstico molecular, captou R$ 23 milhões em uma rodada liderada pela Loccus, empresa brasileira de biotecnologia, instrumentação e diagnóstico molecular. O aporte combina capital privado com recursos de fomento da Finep e da Fapesp.

Segundo Eduardo Araújo, CEO da Loccus, a operação foi motivada pela complementaridade entre as duas empresas. “Nós temos capacidade de produção e de inovação, com foco forte em saúde humana e saúde animal. Já a Doroth tem um estoque imenso de conhecimento científico, porque são grandes pesquisadores que trabalham lá, mas não tem capacidade produtiva para escalar as invenções, embora tenha uma boa capacidade de captação e de redação de projetos para recursos de fomento”, afirma.

A partir da combinação dessas competências, os recursos serão destinados à expansão da estrutura de pesquisa, desenvolvimento e produção da startup, incluindo a implantação de uma indústria de chips microfluídicos com reagentes proprietários embarcados. A proposta é transformar tecnologias desenvolvidas integralmente no Brasil em produtos fabricados em escala, reduzindo a dependência de reagentes e sensores importados e ampliando o acesso do agronegócio a diagnósticos moleculares descentralizados.

“Unindo as empresas, a gente cria um time imbatível. Temos as melhores cabeças criativas dos dois lados, um processo produtivo que atende as duas empresas e canais de distribuição que serão utilizados pela Doroth“, diz Eduardo.

A deeptech ficará concentrada no desenvolvimento de produtos e na captação de recursos, enquanto a Loccus contribuirá com fabricação, integração de tecnologias já existentes em seu portfólio, infraestrutura, conhecimento científico, capacidade industrial e suporte regulatório. A expectativa é encurtar o caminho entre o desenvolvimento das tecnologias e sua chegada ao mercado.

Com a integração das estruturas, a companhia também espera acelerar o desenvolvimento de novos testes, ampliar a produção de equipamentos, chips e reagentes e fortalecer uma cadeia tecnológica nacional que vai de enzimas e ensaios moleculares a sensores, instrumentos automatizados e consumíveis microfluídicos.

O que faz a Doroth

Fundada em 2019, com sede em Piracicaba (SP), a Doroth reúne competências em biologia molecular, microfluídica, engenharia, eletrônica, óptica, automação e software. Suas plataformas integram, em equipamentos compactos e automatizados, etapas que hoje dependem de laboratório, como preparação de amostras, extração de material genético, amplificação e leitura de resultados.

As soluções são aplicadas à identificação de patógenos, microrganismos, organismos geneticamente modificados e genes de resistência em amostras como folhas, sementes, grãos, leite e carne. As tecnologias podem ser usadas em diferentes etapas da cadeia do agronegócio, da sanidade vegetal e animal à qualidade de matérias-primas, rastreabilidade e controle de processos agroindustriais.

A plataforma também permite detectar vírus, bactérias e outros agentes infecciosos em insetos vetores, como a cigarrinha-do-milho, relevante para a sanidade agrícola, e o Aedes aegypti, associado à saúde pública.

A Doroth já desenvolve projetos com grandes empresas do agronegócio. Para Rodrigo Gurdos, fundador e diretor de Novos Negócios da empresa, a parceria com a Loccus marca a passagem de uma fase concentrada em pesquisa e validação para uma etapa de produção em escala industrial.

Um dos principais investimentos será a construção da primeira indústria de chips microfluídicos da América Latina. “Teremos a primeira indústria de chips microfluídicos da América Latina, com capacidade de produzir até 4 milhões de chips por ano”, afirma Rodrigo.

A planta será totalmente automatizada, segundo o executivo, com robôs de precisão para a manipulação de beads liofilizadas — esferas com reagentes desidratados usadas nos testes — e produção autossuficiente de enzimas proprietárias para qPCR, LAMP e Extreme PCR, técnicas de amplificação de material genético usadas no diagnóstico molecular.

A estrutura também contará com produção de lyobeads e uma esteira equipada com robôs delta para a montagem dos chips sem manipulação humana. A expectativa é que a capacidade instalada atenda à primeira fase de expansão da empresa no mercado agro.

Entre os produtos que a nova planta deve viabilizar está o Extreme PCR, enzima que, segundo Rodrigo, é capaz de entregar resultados em menos de cinco minutos.

Parceiros e investidores

A operação também amplia a estratégia da Loccus de expansão por meio de iniciativas de inovação aberta, venture building e Corporate Venture Capital (CVC), os programas Bios e Nanos.

Desde a criação das iniciativas, mais de 20 deeptechs já foram selecionadas para integrar o ecossistema da empresa. O Bios é voltado a startups de biotecnologia, saúde, agronegócio, diagnóstico molecular e bioeconomia. Já o Nanos concentra-se em nanotecnologia, materiais avançados e tecnologias de alta complexidade, conectando startups, pesquisadores, instituições científicas e indústria.

A rodada contou com o suporte da MOA Ventures, que assessorou a Loccus na estruturação do aporte e também coordena os programas Bios e Nanos. Do lado da Doroth, a operação foi assessorada pela S4 Consultoria, que atuou como assessora financeira exclusiva na estruturação, negociação e fechamento do negócio.

O post Deeptech Doroth capta R$ 23M em rodada liderada pela Loccus apareceu primeiro em Startups.

Acompanhe a Recifes.net

Gostou desta leitura? Siga a Recifes nas redes e receba as proximas pautas no WhatsApp.

Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de startups.com.br.

Compartilhar:
Leia também